A surpresa na escada do amor
" Quero contar pra vocês, Com a maior precisão, Qual foi a minha impressão, Quando pensei certa vez Sobre a maior emoção Que temos no coração, Sem contar nem até três. Pois o amor, quando chega, Vem logo arrepiando, Deixa a gente se enganando, E mole feito manteiga, Quem ama, se abestalhando, Pensa que está ganhando, É a pessoa mais meiga. Ele vai levando a gente, Com tantos sonhos que traz, A fazer tudo demais, Deixa até impaciente. É como ficar sem paz Ser notícia nos jornais, Junta tudo que se sente. Eu comparo o amor, A uma grande escada, Comprida e enviesada, Onde a pessoa entrou; E que depois de entrar Nunca pensa em voltar, Por mais que vá sentir dor. Ela tem tantos batentes, Pelos quais vamos subindo, Avançando e seguindo, Continuando em frente; Mesmo se desiludindo, Todos continuam indo, Lá ninguém é diferente. A subida continua, Por toda aquela escada, Que é uma grande parada, Maior do que muita rua; Perigosa, engraçada, Não se compara a nada, Parece que se flutua. Nessa seqüência subida, Com pássaros e jardins, Quem sabe até querubins, Tudo de bom dessa vida, Finda chegando ao fim, Pois a escada é assim, Nunca garante guarida. Aí vem uma surpresa, Bem lá no fim da escada, Uma parede fechada, Lisa, que é uma beleza; Não tem por onde seguir, Pode chorar, pode rir, É coisa da natureza. Não se entende por quê Se fez uma escada dessa, Que tem batentes à beça, Quem poderia dizer? Alguém pregou uma peça, É isso que interessa A gente compreender. Não se quer descer de volta; Ninguém gosta de perder, Mas não há o que fazer, Nem precisa de escolta; O jeito é se render, Começar logo a descer, E ver se ninguém lhe nota. Cada batente é uma lágrima, É também, uma saudade, Pois é fim indesejado, De deixar a cara pálida Uma grande decepção, Mas por resignação, Uma experiência válida. Resistindo e não descendo, Tem de se abrir uma porta, Até com a mão, não importa, Todo mundo compreende; Seria uma resposta, Como todo amante gosta, E o problema resolvendo. Com sacrifício e fé, Com muita perseverança, Inocência de criança, Amor de homem e mulher, Alcançará a bonança, Pois o amor só avança Do jeito que a gente quer. Não acredito que o amor Nos leve a nada ruim; Então, fazendo por mim, A parede derrubou; Vejam só qual foi o fim Que encontrei bem assim, Quando tudo terminou. Depois da parede, estava Tudo que a gente procura: Sem choro nem amargura, Vejam só quem lá morava; Quanto mais tal aventura Parecia uma loucura, muito mais apreciava. Vou lhe dizer a verdade De quem estava ali; Só acredito porque vi, Creia-me, por caridade; Quando rompi a parede, Cansado e com tanta sede, Vi logo a felicidade. O pior é que ela disse Que tinha ido pra lá Sempre me vendo chegar, Parecendo uma tolice; Mas disse, pra terminar, Que não iria chegar, Se pra lá eu não subisse."
Para quem não curtiu muito meu cordelzinho ontem no flogão ta ai um de verdade, o autor creio que ninguem conheça aqui mais é digno de veneração por que mesmo não tendo muito verso e faltando certa afinação ele pós nestas linhas a beleza de certa emoção.
Ver nesta simples e bela canção, poema ou até mesmo discertação. Podemos dizer que não a como dizer de onde ou como possa se entender o que vem do coração.
Até o proximo post e boa Quarta-Feira para todos.
Jeffsom Oliveira Souza

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